domingo, 12 de janeiro de 2014

PÓS-MILENISMO E AVIVAMENTO


O âmago da compreensão pós-milenista sobre o fim dos tempos está numa interpretação exegética menos mitológica de Apocalipse 20. Muitos cristãos de teologia conservadora não conseguem compreender como alguém que defende a depravação total do ser humano, no mal desenfreado do mundo atual, na atuação presente de Satanás e na forma como o século XX testemunhou uma grande guerra após outra, poderia crer em algum reino milenar à surgir durante a presente era. Parte do problema aqui é que poucas pessoas se importaram em compreender a forma em que os intérpretes pós-milenistas realmente lêem o texto da Bíblia. As pressuposições acerca do pós-milenismo existem em abundância, e raramente os críticos dessa perspectiva tomam tempo para estudar e compreendê-la corretamente.

O que é realmente surpreendente a respeito dessa oposição ao pós-milenismo é que há um certo tempo teria ocorrico extamente o contrário entre cristãos dos EUA fundamentados e centrados na Bíblia. Muitos dos maiores professores e estudiosos da Bíblia no passado defendiam essa posição. Deveríamos simplesmente pressupor que os principais teólogos evangélicos do século XIX não tinham base bíblica para defender as suas posições?

O pós-milenismo bíblico não deve ser confundido com as idéias liberais de progresso social do século XIX. O pós-milenismo evangélico certamente não era um “otimismo evolucionário”. Além disso, não era teologia liberal. O professor John Jefferson Davis, do Seminário Teológico Gordon-Conwell, pós-milenista, escreve algo muito útil para essa reflexão:

A visão pós-milenista da difusão e expansão do Reino de Cristo não somente energizou os enormes esforços para missões domésticas e internacionais no século XIX, mas a partir de 1815 também estimulou reformas sociais nas áreas de pacificação, abstinência de bebida, ensino público, abolição da escravatura e preocupação pelos pobres. Naquele período reinava a convicção de que o progresso do Reino de Cristo exigia não somente a regeneração pessoal, mas também esforços para redimir e transformar estruturas sociais injustas.

É importante observar que nenhum pós-milenista sério acredita que Cristo vai reinar fisicamente sobre a terra durante a época associada à sua interpretação de Apocalipse 20. Aliás, em geral concordam que os mil anos citados devem ser interpretados como representativos de um período longo.
Mas qual é exatamente a visão pós-milenista das coisas, e porque isso importa para a nossa reflexão sobre avivamento? John J. Davis escreve que as doutrinas principais do pós-milenismo são:

1.      Por meio da pregação do Evangelho e do derramamento espetacular do Espírito Santo missões cristãs e o evangelismo terão um sucesso extraordinário, e a Igreja passará por um período de expansão numérica e vitalidade espiritual sem precedentes.

2.      Esse período de prosperidade espiritual, o milênio, entendido como um período longo, será caracterizado por evidências de paz e bem estar econômico crescentes no mundo como resultado da influência sempre maior da verdade cristã.

3.      O milênio será caracterizado também pela conversão à fé cristã de um grande número de judeus étnicos (Romanos 11:25-26).

4.      Ao final do período do milênio haverá um breve período de apostasia e conflito severo entre as forças do cristianismo e as forças do mal.

5.      Por fim, e simultaneamente, ocorrerá a volta visível de Cristo, a ressurreição dos justos e ímpios, o juízo final e a revelação dos novos céus e nova terra.

Essa perspectiva é chamada pós-milenismo simplesmente porque crê, em contraste com outras linhas da profecia, que a volta de Cristo seguirá este período de benção do milênio.

Porque essa posição é então associada muitas vezes a esperança pelo avivamento e uma teologia bem definida de avivamento? O pós-milenista bíblico conservador não crê que as condições do mundo em si não têm um papel significativo naquilo que o Deus soberano pode escolher fazer em relação ao avivamento em qualquer momento da história. Quanto mais tenebroso o momento na história, tanto maior pode ser a luz da reforma e do avivamento. A esperança não é depositada na melhoria das condições sociais, mas no Deus soberano que intervém na história de acordo com a sua vontade e quando Ele quer.

A questão principal para a maioria dos pós-milenistas sérios que seguem a Bíblia é esta: “O evangelho ainda vai se tornar um poder de transformação mundial para todas as nações?”. A resposta que eles dão é um retumbante sim.

Jonathan Edwards, o maior teólogo do avivamento que já abençoou a Igreja, defendia essas mesmas idéias milenaristas. Isso pode ser observado em todos os seus escritos e orações em que pede que as misericórdias futuras de Deus desçam no verdadeiro avivamento.

O que devemos concluir de tudo isso? Devemos aderir ao pós-milenismo se cremos no avivamento e queremos promovê-lo? O pós-milenismo pode até reacender o o interesse pelo avivamento, mas não creio que faça isso por si mesmo. Se você está inclinado a acreditar nessa perspectiva da profecia ou não, precisa ao menos reconhecer que há uma série de textos nas Escrituras que podem ser interpretados de forma mais otimista em relação às perspectivas futuras da Igreja nesta era. Esse elemento de esperança talvez seja a maior contribuição que o pós-milenismo pode trazer àquelas pessoas que estão abertas a repensar as coisas que tomavam como certas.

Os puritanos colocam uma grande quantidade de textos numa categoria denominada “para a glória dos últimos dias”. Construíram os seus argumentos principalmente em torno do texto neotestamentário de Romanos 11. Será que esse capítulo está se referindo a uma terceira época ao final desta era, um período em que judeus e gentios chegarão a uma unidade por meio das misericórdias do avivamento de Deus? Todas as três escolas de interpretação profética (amilenistas, pré-milenistas e pós-milenistas) incluem aqueles que argumentam que a resposta precisa ser sim. Aliás, essa parece a perspectiva conservadora mais comum de Romanos 11 que resulta de consulta aos comentários. Se essa perspectiva está correta, então a expressão “quanto mais significará a sua plenitude!” (Romanos 11:12) pode estar se referindo a uma época maravilhosa de avivamento ainda por vir.

A pessoa não precisa adotar nenhuma dessas três perspectivas para acreditar que essa esperança por um grande avivamento pode muito bem estar fundamentado nas Escrituras.

Tudo isso foi dito para encorajar o leitor a pensar de forma mais profunda acerca do assunto do avivamento, especialmente em relação ao tipo de questões que homens tementes a Deus de gerações passadas levam em alta consideração.