Parece redundante mencionar “uma
Igreja Profética”, pois a natureza da Igreja é essencialmente profética dada à
presença onisciente do Espírito Santo. Porém, a verdade é que a Igreja ao longo
dos séculos perdeu sua manifestação do profético. Os líderes e igrejas que
alegam nunca terem perdido o profético, o alegam com base na afirmação de que o
profético está ligado à exposição edificante, exortativa e consoladora das
Escrituras. De fato, as Escrituras têm um papel profético crucial e
insubstituível na Igreja, porém, o profético é mais abrangente do que a
ortodoxia bíblica; é a revelação mística do Cristo ressurreto, é o testemunho
vivo de Jesus. O que torna a profecia viva é a revelação de Jesus.
“...o testemunho de Jesus é o
espírito da profecia.”
Apocalipse 19:10c
Assim como a Igreja precisa da
demonstração do Espírito Santo e do poder (I Coríntios 2:4), que é a
onipotência de Deus manifesta, precisa também da demonstração do Espírito e do
saber, que é a onisciência de Deus manifesta.
A profecia presente na vida de
cada crente e na atmosfera espiritual de uma igreja, é uma poderoso arma
evangelística e canal de despertamento.
“Mas, se todos profetizarem, e
algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Os
segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu
rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós.”
I Coríntios 14:24-25
O sujeito do texto aqui é o “indouto ou infiel”, ou seja, o homem
natural, que não conhece a Deus e não o serve. O âmago da questão é o poder
persuasivo da profecia.
O versículo 25 expõe quatro frutos
do profético manifesto:
1- REVELAÇÃO.
“Os segredos do seu coração ficarão
manifestos...”
Quem pode conhecer os recônditos
do coração humano senão o Seu Criador? Eis o que torna a profecia um elemento
tão persuasivo, a revelação. O pecador está disposto a se entregar a qualquer
força que discirna seus pensamentos e sentimentos mais profundos, e nenhuma
outra fonte faz isso com tanta precisão e pureza do que a Palavra de Deus
(Hebreus 4:12).
2-
ADORAÇÃO.
“...lançando-se sobre o seu rosto, adorará a
Deus...”
Sim, a profecia tem o poder de
curvar o mais cético e profano dos homens aos pés do Deus vivo. A verdadeira
adoração provém de alguém que teve contato com um dos grandes atributos de
Deus, embora o mais convincente seja o amor de Deus. Mas este amor pode ser
revelado através da profecia, atraindo o pecador à humilhação diante do Senhor.
3- PROCLAMAÇÃO.
“...publicando...”
O pecador cujo coração for
precisamente descoberto pela profecia, não deixará de proclamar a onisciência
deste Deus a todas as pessoas. O evangelho tem na profecia um poderoso elemento
de proclamação, não pelo profeta em si, mas por aquele que foi alvo da misericórdia
de Deus em ouvir Sua voz.
4-
CONVICÇÃO.
“...que Deus está verdadeiramente entre vós.”
É disto que cada homem, mulher e
criança precisa, uma absoluta certeza da presença de Deus na igreja. Ela não
pode ser algo relativo ou distante. Não pode ser a mera consciência teológica
da onipresença de Deus, mas uma percepção quase palpável de sua glória. E isto
pode vir através do verdadeiro Espírito da Profecia.
A profecia não está restrita aos
profetas. Apóstolos, evangelistas, pastores, mestres, diáconos, presbíteros,
bispos, servos e servas... Todos devem se esmerar para profetizar, manifestando
a onisciência de Deus em sua igreja.
Moisés expressa no Antigo Testamento
a vontade de Deus: “...Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta...” (Números
11:29). E Paulo revela no Novo Testamento a vontade de Deus: “E eu
quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis...
Porque todos podereis profetizar...” (I Coríntios 14:5, 31).
Exercite o nível de revelação que
já está em você pela habitação do Espírito Santo. Reconheça as impressões que
tem em seu espírito acerca de situações, pessoas, e principalmente da Igreja,
pois, “...o quem profetiza edifica a igreja.” (I Coríntios 14:4b)
O pecador que vai à Igreja não espera erudição
ou intelectualidade. Não quer ouvir de nós: “Assim eu penso”, “assim eu li”,
“assim acho”... Eles esperam ouvir: ASSIM DIZ O SENHOR!
